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Os muros e a industrialização de Londrina

É preciso derrubar muros e fortalecer a cultura do empreendedorismo. Essas foram algumas conclusões da mesa redonda “Políticas Públicas para as indústrias de Londrina – gestão 2017-2020”, que abriu a programação do Forum EletroMetalCon 2017. Mediador da ocasião, o jornalista Tadeu Felismino fez um panorama da economia da cidade desde a sua criação, contextualizando a temática da industrialização.



Segundo ele, o DNA agrícola de Londrina, antiga capital do café, é uma das questões que permeiam a discussão sobre o déficit de indústrias na cidade. O jornalista lembrou que as últimas grandes iniciativas no sentido da industrialização aconteceram em 1990, com a instalação das empresas Atlas e Dixie Toga.



O presidente do Sinduscon Norte PR, Rodrigo Zacaria, falou sobre uma das principais causas desse hiato no desenvolvimento de Londrina: os muros da burocracia, do comodismo, da legislação e até do preconceito contra empresários. Falando diretamente ao prefeito Marcelo Belinati (integrante da mesa), e para uma plateia de quase 300 pessoas (estudantes na maioria), ele observou que a cidade tem tudo para ser um polo industrial: talento, material humano, determinação e espírito inovador. O que falta? “Falta derrubar o muro, senhor prefeito!”



 “Muros são uma realidade”, concordou Belinati, garantindo que o crescimento e o desenvolvimento econômico de Londrina é o foco da sua administração. “Hoje, para liberar um loteamento, demora dois anos. O empresário desiste. Montamos um grupo de estudo para fazer o diagnóstico e responder a pergunta: por que demora tanto? A resposta é que, com o tempo, foi-se criando um monstro na legislação municipal que impede a atração de investimentos”, justificou, apontando diversas iniciativas que estão em andamento para tentar reverter isso.



Para o vice-presidente da Fiep, Ary Sudan, Londrina tem indústrias – 17% do PIB da cidade é industrial – mas precisaria ter 25%.  Segundo ele, existem vários caminhos para a cidade chegar lá. Um deles é o estímulo à cultura industrial. “Aqui, quando se fala em ter mais indústria, a pergunta é: ‘mas não vai atrapalhar a nossa vida?’ E não: ‘quantos empregos vai gerar?”’ Para Sudan, é importante trabalhar isso nas escolas, tirar alguns estigmas, como o da poluição. “Nossa memória ainda está na época das chaminés. Não existem mais chaminés!”



O presidente do Sindimetal Londrina, Valter Orsi, apontou uma característica do brasileiro que reflete essa falta de cultura industrial: “Hoje, todo mundo quer ser funcionário público, ter estabilidade. Ninguém quer ser empreendedor. Precisamos criar motivação para empreender.”  Já para Zacaria, o brasileiro tem vocação para empreender, pois sempre teve que se reinventar por conta dos altos e baixos da economia. Entretanto, observa ele, quando iniciativas empreendedoras são regulamentadas, acabam morrendo. “Se o poder público não pode ajudar, não deve atrapalhar."



Ao final do debate, o mediador lembrou que os investimentos que deram certo no passado, em Londrina, foram os que tiveram a união de forças da comunidade. “É preciso aplaudir, valorizar as pessoas que tomam a iniciativa do empreendedorismo, assim como foi feito hoje, aqui no palco”, disse, referindo-se aos três projetos universitários (de todo o Brasil) selecionados no 9° Prêmio EletroMetalCon, que serão avaliados durante o Fórum e receberão prêmios em dinheiro.