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Novas tecnologias: "É questão de tempo até o empresariado amadurecer"

Fabiano Rogerio Corrêa, professor do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica da USP, esteve em Londrina recentemente, falando a uma qualificada e atenta plateia no campus da UEL. Na palestra, ele discorreu sobre “Como a inteligência artificial e a Internet das Coisas podem transformar a construção civil nos próximos anos.” Ao site do Sinduscon, ele concedeu a seguinte entrevista:



Das tecnologias que você conhece/já viu fora do Brasil, qual acha mais interessante e mais aplicável à realidade nacional da construção civil?



Acredito que o uso de drones, que já vemos em algumas obras no Brasil, apesar de serem usados apenas para tirar fotografias ou fazer filmagens, poderia agregar valor imediato se as imagens e vídeos produzidos pudessem ser processados automaticamente para extração de informações ou quantificação de equipamentos, componentes ou serviços. Já existe empresa americana prestando este tipo de serviço.



Quais as dúvidas e questionamentos por parte dos empresários quanto à implantação de Inteligência Artificial e Internet das Coisas na construção civil?



No geral, estas tecnologias são muito novas ainda, e não apareceu ainda no radar dos empresários. No entanto, já temos construtechs brasileiras oferecendo serviços com Internet das Coisas para a área de construção; então julgo que é questão de tempo até o empresariado amadurecer a ideia de que pode agregar valor com o uso das tecnologias mencionadas. O BIM é ainda a inovação que muitos almejam implementar; tanto a Inteligência Artificial, quanto a Internet das Coisas ainda estão num segundo plano.



 Você está buscando algum apoio técnico de engenharia civil? Acha isso necessário para a implantação dos sistemas no Brasil?



Sem dúvida é imprescindível este apoio técnico para avançarmos na implantação destes sistemas no Brasil. No momento, consigo parte disto e mais facilmente no programa de mestrado profissional, o ConstruINOVA, que implantamos na Escola Politécnica da USP. Mas todo apoio técnico externo é bem vindo!



 Visto que a construção civil no Brasil é artesanal, o que você pode fazer para nos ajudar a ter parâmetros de produtividade?



Quantificar o aumento de produtividade possível com a implantação destes sistemas só seria possível para a construção industrializada, e mesmo assim os nossos experimentos são ainda pouco numerosos para podermos falar seriamente em porcentagens. Lembrar que para implantar com sucesso estes sistemas é necessário - assim como no BIM - que haja uma mudança de cultura, da própria organização, dos processos, para que haja proveito das inovações.



Qual seria a ação mais urgente a ser tomada pelas construtoras brasileiras diante da realidade tecnológica que se impõe?



Elas precisavam se informar melhor do que acontece lá fora, num ambiente competitivo. As associações deveriam, assim como aconteceu no surgimento do BIM, organizar missões ao exterior e ver bons exemplos de implantação.