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Estudo revela o futuro da habitação em 10 anos

A construção civil brasileira está prestes a viver uma revolução. Isso porque as tendências sócio demográficas emergentes, associadas às evoluções tecnológicas, têm potencial para renovar e transformar o mercado, trazendo a necessidade de novos produtos e de uma nova forma de atuar na construção civil. É o que revela o estudo técnico realizado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), em conjunto com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI Nacional).



 O projeto foi desenvolvido entre janeiro e maio de 2018, utilizando um método de trabalho no qual foi empregada a técnica Foresight Toolkit Studio, um conjunto de ferramentas desenvolvidas pelo Institute for the Future (IFTF) que ajuda a definir, a partir de possíveis futuros, as ações e estratégias necessárias para que um cenário desejado possa se configurar. A iniciativa integra o projeto Tendências e Melhorias de Gestão, Tecnologia e Inovação da CBIC. De acordo com o documento, grandes mudanças estão em curso e têm potencial para impactar o setor de construção de habitações.



A mudança na demografia e a busca por sustentabilidade e melhor estilo de vida têm direcionado transformações no tipo e uso de habitações, com crescimento da demanda por habitações mais compactas, de múltiplos usos, que reduzam deslocamentos, racionalizem espaços, estimulem o compartilhamento e provenham serviços e soluções inteligentes para atender esses novos padrões de expectativa. A casa ativa é um conceito que aparece no radar dos sinais de futuro, impulsionada por mudanças no padrão de consumo e na cultura de posse do imóvel bem como pela demanda por soluções, produtos e serviços mais sustentáveis.



 A tendência cada vez mais forte de práticas de coliving e coworking também terá impacto no segmento. Existem sinais de que a cultura de economia colaborativa está se espalhando pela sociedade e será cada vez mais pervasiva. O impacto dessa cultura na habitação pode ser visto numa crescente criação de ambientes de coliving, onde moradias privadas compartilham espaços comuns, promovendo interações sociais e colaborações no entorno da habitação. Essas mudanças estão em sintonia com o surgimento de novos bairros onde socialização e integração social alcançam patamares mais elevados, suportado pelas novas cidades inteligentes. “O colapso dos modelos existentes de grandes condomí- nios e de uma setorialização urbana não adequada aos novos padrões de mobilidade e cultura de socialização são os principais direcionadores da mudança para novos contextos de moradia”, explica o presidente da Comissão de Materiais, Tecnologia, Qualidade e Produtividade (Comat) da CBIC, Dionyzio Antonio Martins Klavdianos.



A modernização da indústria também impactará no setor de construção de habitações. Isso porque a indústria está passando por mudanças profundas na direção de maior industrialização, consistente com a produção de habitações mais sustentáveis e com menor uso de recursos e produção de rejeitos. Pressões regulatórias e do próprio mercado consumidor têm antecipado mudanças no setor para maior agilidade e produtividade nas construções. E essas mudanças formam o ponto de partida para um trabalho de pensamento de futuro para o setor de construção de habitações.



Para o diretor de Ciência e Tecnologia do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Pernambuco (Sinduscon/PE), Serapião Bispo Ferreira Neto, o desafio da construção civil do futuro será inovar, buscando uma diferente proposta de valor. Segundo Neto, a falta de avanço nos últimos anos trouxe prejuízos inestimáveis ao setor. Ele acredita que, se o Brasil permanecer estagnado, perderá mercado para outros países. “A alta carga tributária, os juros elevados e a falta de incentivo no setor atrapalharam o Brasil a avançar na construção civil. Países como Alemanha, Chile e Espanha já estão evoluídos e contam com tecnologia de ponta. Além disso, a dificuldade de qualificação na construção civil piorou nos últimos 15 anos”, defendeu Neto. CONSTRUTOR DO FUTURO O futuro da habitação também envolve o construtor.



Para o consultor em Pensamento de Futuro da CBIC e professor associado do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Fábio Queda Bueno da Silva, o novo profissional deverá combinar tecnologias diferentes, além de compreender a revolução digital na área de materiais. “Será necessário um profissional multifuncional que atue com novas tecnologias e entenda a diversidade de equipamentos, materiais e novas técnicas que vão ocupar o canteiro de obras. Provavelmente será preciso atuar com impressão 3D, novos materiais de origem biológica que se auto regeneram e não têm necessidade de manutenção, e com uso de robótica na forma de drones e outros equipamentos, que devem ocupar lugar em operações de transporte e montagem”, detalhou Bueno da Silva.



A 90ª edição do Enic deixou claro que a inovação é um dos assuntos mais importantes para o futuro próximo do setor da construção, e que essa é uma agenda fundamental que tem que ser entendida e explorada visando gerar a perspectiva de um viver melhor, assim como para aumentar a eficiência e produtividade, de forma a enfrentar uma concorrência cada vez mais acirrada nos negócios, com menor margem de preços e clientes cada vez mais focados em qualidade e sustentabilidade. Para ter acesso ao resultado completo do estudo clique aqui.



Por Jane Rocha 



Foto: site Socoffeela