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"Eleição atual é assassina de analistas"

O Sinduscon Paraná Norte trouxe a Londrina, na última quarta-feira, o cientista político Leonardo Barreto. Em palestra no auditório da entidade, ele falou a empresários sobre as eleições 2018, analisando as pesquisas eleitorais, o cenário atual e as perspectivas políticas e econômicas para o País.



Barreto iniciou sua fala dizendo que a atual eleição é “assassina de analistas”, pois é fora da curva para todos os padrões. “E olha que temos padrões muito elásticos”, observou. A diferença começa pela ausência do governo tentando exercer influência no processo, dinâmica normal de toda eleição.  



“O Brasil vive desde 2014 duas crises dramáticas. A pior depressão econômica da sua história, com queda de 7,4% de seu PIB e um escândalo devastador de corrupção, cujas investigações continuam. Temos o ingresso de novos atores no primeiro plano da política (Judiciário e Ministério Público) e perda de poder de outros (imprensa)”, pontuou. Para ele, a crise atual não foi causada pela corrupção; mas sim pela questão fiscal. “A corrupção se torna parte do problema porque impede o consenso na resolução dos conflitos.”



Segundo Barreto, a divisão geográfica de votos no Brasil de 2014 é bem similar à atual, com uma diferença: o PSDB não é mais o titular da opção anti PT, espaço ocupado hoje em grande parte pelo candidato do PSL, Jair Bolsonaro. Ao ser questionado se as razões da intenção do voto em Bolsonaro não seriam mais amplas do que apenas pelo antipetismo, o cientista político ampliou sua análise.  De acordo com ele, o fenômeno também pode ser explicado pelo conservadorismo represado – sem voz durante os governos de esquerda –  que está trazendo à tona um revisionismo histórico do período militar, e também pela revolta geral contra o sistema político .



Ao falar sobre as perspectivas para a construção civil, Barreto ressaltou o investimento público muito limitado até 2022. “Teremos que encontrar outros modelos de financiamento”, disse, apontando a necessidade da melhora do ambiente regulatório e da retomada da confiança. “Alckmin promoveria a normalização do ambiente de negócios de forma mais rápida. Com qualquer um dos demais candidatos na presidência, teremos um custo de transição”, avisa. De qualquer maneira, ele prevê tributação de lucros e dividendos e aumento da carta tributária.



“Se tudo der certo, em 2020 voltaremos para o patamar econômico de 2014. Uma geração inteira será sacrificada no mercado de trabalho. O que a gente viveu no país não foi brincadeira; é comparável a um período de guerra”, afirmou.



À pergunta sobre a possibilidade de fraude nas urnas eletrônicas, o cientista político respondeu assim: “Qualquer sistema eleitoral tem que ser auditável. Mas esse é um problema que a justiça eleitoral trata até com arrogância.”



Por Rosângela Vale