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BIM: benefcio financeiro, diz especialista

Sócio e diretor da paulistana Sinco Engenharia e vice-presidente de Tecnologia e Qualidade do Sinduscon SP, Paulo Rogério Luongo Sanchez tem sido o líder do grupo que trabalha na difusão e implantação do BIM – Building Information Modelling em São Paulo. E uma das referências no Brasil.



O BIM é um processo de trabalho que cria um modelo virtual do empreendimento com o detalhamento do projeto em três dimensões, tal qual será construído, agregando a ele informações de todas as especificações: execução, controle de qualidade e informações para uso e manutenção.



Sanchez foi um dos convidados do Segundo Ciclo de Palestras do Programa de Atualização Tecnológica e Gestão de Obras, realizado pelo Sinduscon e Ceal no final de novembro em Londrina. E falou ao site sobre o tema de sua apresentação e também sobre a união do setor no Sinduscon SP. Confira:



 



O que é necessário para que o mercado realmente adote o BIM?



Para mim, é uma questão de informação. O BIM é uma ferramenta que está à disposição, é um processo sem volta. Eu imagino que é a única tecnologia em que o Brasil começou no mesmo nível dos outros países. Então em 2010, quando vimos nos Estados Unidos, começamos a trabalhar no Brasil. Hoje, o que temos de tecnologia em BIM é o que o mundo inteiro tem. Só que o Brasil é muito grande, então, a informação não chega ou chega deturpada, tipo: ‘vai custar caro o programa’. Mas não é verdade, porque hoje uma empresa de software, pelo fato de estar tendo muita procura, elas já estão flexibilizando. Você não precisa comprar o programa, você pode alugar. Então, o importante é as empresas enxergarem o benefício. E o benefício é financeiro: ganha-se dinheiro usando BIM. Então, melhor do que isso para o empresário não tem.



 



Isso já está na grade curricular das universidades?



Não, mas está em muitos cursos de especialização das universidades. É uma tendência. O que eu vi, no Brasil, é que as empresas privadas estão puxando a tecnologia, os projetistas estão vindo atrás, as universidades estão vindo e o governo, só agora, está enxergando a vantagem disso. Porque o BIM proporciona transparência, e a realidade que estamos vivendo no Brasi, hoje, exige transparência. Então não vai ter mais sobre preço de obra, não vai ter mais obra que começa e não acaba. Hoje o governo está à frente disso também. Nos outros países, eu estive no Chile agora, o governo é o primeiro a implantar o BIM, a universidade também, e as construtoras estão indo atrás. Então lá o governo é o grande incentivador. Aqui as empresas privadas estão puxando isso. Mas o governo brasileiro já percebeu e está trabalhando para que as licitações de obras públicas sejam com projetos em BIM e acompanhadas em BIM.



 



Na sua opinião, em quanto tempo o BIM estará disseminado no país?



Se você me perguntasse há um ano, eu estaria completamente incrédulo porque o sistema político do país não permitia isso. Eu acho que hoje, com a consciência e a maturidade que estamos tendo, e o trabalho que alguns deputados estão fazendo para realmente moralizar o nosso país, a ferramenta é um indutor disso. Estou muito otimista em relação à implantação do BIM.



 



Vinte e oito das maiores empresas do país participam das reuniões do Comitê de Tecnologia e Qualidade do Sinduscon SP para discutir ações conjuntas. Como conseguem essa união? Que benefícios e motivações os empresários têm para trabalhar em conjunto?



Isso começou não foi agora. Fazemos isso há 20 anos. Começou com um pequeno grupo, de cinco empresas, depois passou para sete, dez, quinze. E, na realidade, o intuito desse grupo foi começar a trocar as fragilidades, não as qualidades. Derrubar os tapumes e cada um entrar nas obras. E começamos a perceber que essa troca de informações fazia com que nossas empresas crescessem tecnologicamente, porque quando você faz o benchmarking com a outra empresa você vê coisas importantes que elas estão fazendo. No estatuto do Comitê de Tecnologia e Qualidade do SindusCon SP consta que temos que socializar a informação. E essa socialização da informação só fez crescer o mercado. Todo mundo se beneficiou. Hoje tem muita gente querendo entrar, mas somos restritivos porque é preciso ter um perfil. Tem empresas que querem estar ali só para pegar informação; para nós, não interessa. O importante é fazer a troca. Todas as maiores empresas do Brasil participam desse grupo. Só são permitidos diretores de empresas, pessoas que possam tomar decisões técnicas e estratégicas, que têm o poder de decisão. Isso facilita a convivência, que deve ser honesta e aberta. E assim você cresce: a sua empresa e o mercado.