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EMPRESÁRIOS DA CONSTRUÇÃO DISCUTEM RESPONSABILIDADE SOCIAL

Segundo ciclo de seminários promovido pela CBIC intensifica mobilização e aprofunda debate. Terceiro evento aconteceu em Londrina, no Sinduscon Norte PR

“Qual é o papel das empresas na sociedade?” Essa foi a pergunta que norteou o terceiro evento do II Ciclo de Seminários Responsabilidade Social como estratégia empresarial. O encontro, promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e pelo Sesi Nacional reuniu cerca de 60 empresários e profissionais do setor da construção, em Londrina, que discutiram planejamento estratégico na área de responsabilidade social. Para o presidente da CBIC, José Carlos Martins, a intenção do seminário é alinhar conceitos sobre responsabilidade social com empresários de todo País. “Este ano ainda vamos percorrer as Regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil com o seminário. Já temos programação para Belém, Manaus, Campo Grande, Goiás e Porto Velho”, afirmou Martins.

Segundo a presidente do Fasc/CBIC, Ana Cláudia Gomes, “o empresário escuta o termo Responsabilidade Social e o atrela à filantropia e ao voluntariado. Neste momento de crise, é hora de olhar para dentro e pensar no macro, numa estratégia de uso da responsabilidade social como forma de melhorar o relacionamento entre acionistas, trabalhadores e fornecedores, para que todos se beneficiem, transformando tudo isso em um ciclo virtuoso”.

O encontro contou com a parceria do Sinduscon Norte PR e Sinduscon Noroeste Maringá e teve a participação do mestre em administração com especialidade na área de Responsabilidade Social João Paulo Vergueiro e do empresário Alexandre Fabian. Vergueiro abordou o conceito da responsabilidade social corporativa, seus princípios e valores, e como as empresas do setor podem ser socialmente responsáveis agregando esse valor à sua missão. “Devemos buscar ir além do exercício de gerar lucro, ser competitiva e produzir com qualidade. É poder contribuir com a sociedade para crescer junto com a comunidade em ações solidárias e cidadãs que promovam avanços sociais e desenvolvimento cultural”, relatou..

Diretor do Grupo Plaenge, Alexandre Fabian dirige a empresa fundada em Londrina há 46 anos, com atuação nas áreas de incorporação residencial e construção industrial. Atualmente com 2.100 funcionários, está presente em Maringá e Curitiba, no Paraná, e também com unidades nos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina. Em seu testemunho, Fabian contou que “a responsabilidade social tem a ver desde como a empresa executa suas obras até como se posiciona diante dos funcionários e clientes”. O executivo contou também que as decisões da empresa são participativas e tem o envolvimento de sócios, gestores, diretores, equipes técnicas e operacionais. “Essa interação promove não apenas um resultado positivo para a produção e comercialização de nossos produtos, como também um conhecimento cada vez mais detalhado das reais necessidades do nosso público interno”, disse o diretor da Plaenge.

Além da inovadora gestão, Fabian citou alguns resultados dos projetos sociais que a empresa atua e que são conduzidos por lideranças comunitárias. Um dos projetos é a Escola da Construção, em funcionamento desde 2008, que oferece qualificação e capacitação para a formação de mão de obra para o setor. A Plaenge também orgulha-se do programa de bolsas de estudos para nível superior que já resultou na formação de 290 funcionários. “A Plaenge emprega hoje 57 jovens aprendiz no atual quadro funcional”, completou Fabian. “O nosso mais valioso patrimônio é feito pelos que trabalham e consomem nossos produtos,” finaliza o diretor, fazendo referência à campanha Gente de Valor, criada há dois anos, em reconhecimento a todo o quadro funcional da empresa, em especial aos funcionários com mais 20 anos de atuação na Plaenge.

Confira a entrevista com o consultor João Paulo Vergueiro:
A CBIC entrevistou o consultor do Fórum de Ação Social e Cidadania, João Paulo Vergueiro, administrador e mestre em administração pública pela FGV-SP, e bacharel em direito pela USP. Diretor Executivo da Associação Brasileira dos Captadores de Recursos (ABCR) e Coordenador do Grupo de Excelência em Administração do Terceiro Setor, do Conselho Regional de Administração de São Paulo. Professor de Responsabilidade Social Corporativa na FECAP. Leia os principais trechos:

CBIC MAIS: Qual é o foco da sua apresentação no Seminário Regional de Responsabilidade Social?
João Paulo Vergueiro: Na minha palestra durante o Seminário Regional de Responsabilidade Social quero chamar atenção dos empresários da construção civil para a importância da responsabilidade social corporativa como um valor da empresa. Hoje esse pensamento deve ser prioridade dentro das indústrias e das empresas para que elas possam atuar de forma completa e buscar sua sustentabilidade não só financeira, mas impactar toda a sociedade. A ideia desse seminário é disseminar esse conceito e essa preocupação. As empresas podem contribuir para um País melhor. Apresento também os conceitos de responsabilidade social corporativa. E também proponho aos empresários uma reflexão sobre “Qual é o papel da empresa na sociedade?”. A empresa faz bem quando busca o lucro, a geração de emprego apenas ou ela faz melhor quando ela tem uma perspectiva de contribuir para a sociedade crescer junto com a empresa. Eu debato o conceito e o papel da empresa e termino minha palestra mostrando aos empresários como a indústria da construção civil está investindo na responsabilidade social corporativa.

CM: Essa é uma das ações do setor para conscientizar o empresariado a modificar uma cultura de mercado ultrapassada. Qual é a importância do seminário para modificar esse pensamento?
JPV: O programa do seminário é um primeiro passo que a indústria está oferecendo para os empresários, no sentido que eles tenham contato com o tema e comecem a prestar atenção no assunto. O seminário sozinho não tem esse poder de fazer com que o empresário automaticamente perceba a importância e já prepare uma estratégia. Ele é uma das ações que a CBIC tem desenvolvido para alertar a indústria em relação a importância da responsabilidade social coorporativa. Iniciativas como o Prêmio CBIC de Responsabilidade Social, que tem sido cada vez mais disseminado pela própria CBIC, ajudam a fomentar esse valor para o empresariado. E neste ano verificou-se um grande número de inscrições por parte das empresas para concorrer à 12ª Edição do Prêmio. E nós buscamos exatamente isso, colocar a responsabilidade social corporativa na pauta regional para que eles entendam o tema e que eles percebam que não é algo desconexo com a realidade. Na verdade, é uma estratégia fundamental na sustentabilidade do setor ser socialmente responsável.

CM: Você já passou por várias cidades no ano passado com no primeiro ciclo do Seminário Regional. Qual é o retorno das empresas após as palestras?
JPV: O que a gente tem ouvido das empresas, principalmente das empresas que ainda não investem em responsabilidade social coorporativa é que elas tem uma dificuldade muito maior em entender e estruturar o conceito como algo estratégico para a empresa. As empresas que já percebem seu papel na sociedade e já fazem isso com prática já observam um respaldo maior da sociedade.

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